DICA de Leitura
- Alcides Dutra
- 10 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Nada como um bom clássico literário para iniciar essa sessão de DICAS DE LEITURA:

Poucas histórias conseguem ser tão curtas e, ao mesmo tempo, tão grandiosas quanto O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Publicado em 1952, o romance conta a luta solitária de um pescador cubano, Santiago, contra um imenso peixe-espada no meio do oceano. Mas reduzir essa narrativa a um simples embate entre homem e natureza seria um erro. Hemingway nos entrega uma obra profundamente filosófica sobre resiliência, derrota e a essência da existência humana.
A estrutura da obra é direta: Santiago, um velho pescador, está há 84 dias sem pescar nada. Ele é um homem solitário, mas não amargurado, e sua relação com o jovem Manolin, que cuida dele, é uma das poucas formas de afeto genuíno que experimenta. No entanto, sua determinação o leva a desafiar sua sorte e, em alto-mar, ele fisga um gigantesco peixe-espada, iniciando um duelo de resistência e sobrevivência.
O que mais impressiona em O Velho e o Mar é a maneira como Hemingway transforma essa batalha em um reflexo da condição humana. Santiago não luta apenas contra o peixe, mas contra sua própria velhice, contra o tempo, contra as limitações impostas pela vida. Ele sabe que a luta pode ser perdida, mas continua, porque sua dignidade e identidade dependem disso.
Essa simplicidade é o que torna a leitura tão impactante. Cada frase carrega peso, cada silêncio é significativo. A narrativa tem um ritmo próprio, quase meditativo, que envolve o leitor e o coloca ao lado de Santiago em sua jornada. Você sente o sol queimando a pele do velho, a exaustão dos seus braços segurando a linha, o desespero ao ver os tubarões se aproximando. A solidão do oceano ecoa em cada página, e é impossível não se perguntar: até onde eu iria? Até onde vale lutar quando a derrota parece inevitável? O desfecho da história é tão brutal quanto poético. Um herói sem vitória. O Velho e o Mar é uma obra que cresce dentro de você depois da leitura. Não é um livro para ser devorado com pressa, mas para ser sentido. É uma história sobre coragem e persistência, sobre o que significa ser humano diante da inevitabilidade do fracasso.
Hemingway nos mostra que perder não é o oposto de vencer, mas parte do mesmo ciclo. Santiago pode ter voltado de mãos vazias, mas sua grandeza permanece intacta. Ele é, no fim, um herói como todos nós: frágil, resistente e cheio de sonhos que nem sempre se realizam.
Um livro curto, mas eterno.



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